Familiando

A história de famílias que se renovam com a adoção

Dandara Flores Aranguiz

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No dicionário, o significado da palavra ¿gestar¿ sugere a concepção de algo novo. Conceber, produzir, gerar, formar, desenvolver, dar origem a alguma coisa. Palavras que se aplicam ao nascimento de um novo ser. Uma mãe, um pai, ou, quem sabe, duas mães ou dois pais. A chegada de um novo membro na família desperta emoções e requer amor, carinho e responsabilidade. Para adotar um filho também é preciso gerar dentro de si a vontade e preparar-se como na gravidez.

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Adoção é amor conquistado, criação de vínculos, exercício incondicional do afeto, do acolhimento, do encontro marcado. Ao lado da expectativa e da alegria, o receio e a ansiedade por estar fazendo o que é certo.

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– É um processo longo e contínuo de ajustamento para que tudo funcione em equilíbrio. As pessoas acham que é uma coisa mágica, mas é uma vida construída todos os dias. Quando a pessoa adota, é claro que ela faz isso por querer ter um filho, mas esse filho não vem para servir aos pais. Não pode ser um filho para satisfazer desejos egoístas e pessoais. Quando a gente se dispõe a receber a criança, tem que estar dispostos a receber tudo o que vem junto, inclusive a carga emocional – comenta uma mãe adotiva, dona de casa de 35 anos, que não quis ser identificada.

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Ela e o marido, um funcionário público de 38 anos, adotaram um casal de irmãos em maio do ano passado. Os dois já tinham um filho biológico, hoje com 8 anos, quando as crianças, de 3 e 5 anos, chegaram ao novo lar.

– Na verdade, ficamos pouco tempo na fila de espera. Foi uma situação excepcional, eram irmãos. Minha irmã estava na fila há dois anos. Como não fizemos quase nenhuma restrição no cadastro, fomos chamados – explica a mãe.

Mudanças e adaptações

A transformação na vida da família vem em fases e se dá em várias esferas. Dar banho, colocar para dormir e dar comida são atitudes simples, mas que exigem adaptação. A rotina muda, e cada criança reage de maneira diferente da outra. Mas, além das mudanças físicas e estruturais, mudam também as emoções dos envolvidos.

– A rotina mudou bastante. É muito diferente pular de um filho para três. Todos nós ainda estamos nos adaptando à nova vida. Parece que o tempo diminuiu, pois precisamos fazer mais coisas com eles e para eles. Todo dia é de muita intensidade. Eles riem, se divertem, mas também choram muito. Por muitas coisas. O controle das emoções ainda é uma coisa difícil para eles – relata o pai.

Adoção é, também, doação. É mais que preencher uma lacuna ou um desejo pessoal. A criança ou adolescente aptos para uma nova família não escolheram estar nessa situação. E o contexto pode ficar ainda mais complicado quando a adoção é tardia. Isso porque a criança, mais velha ou adolescente, já n"

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